Cada mãe vive um puerpério diferente


O puerpério não é uma experiência única, padronizada ou previsível.

Ele não vem com manual.

E, definitivamente, não deveria vir com comparações.

Existe a ideia silenciosa — muitas vezes cruel — de que toda mãe vive o mesmo pós-parto. Que o cansaço é igual. Que o amor nasce instantâneo. Que o corpo se recupera no mesmo tempo. Que a mente acompanha o ritmo do bebê.

Mas isso não é verdade.

Cada mãe vive um puerpério diferente porque cada mulher chega à maternidade carregando sua própria história.

Histórias que se encontram, mas não se igualam

Algumas mães vivem um puerpério atravessado pela exaustão extrema.

Outras, pela solidão.

Algumas sentem culpa por não se sentirem felizes o tempo todo.

Outras choram sem saber exatamente o motivo.

Há quem sinta plenitude… e quem sinta medo.

E todas estão vivendo um puerpério legítimo.

O que muda?

A rede de apoio

O tipo de parto

As expectativas criadas antes do nascimento

A relação com o próprio corpo

A saúde mental

As experiências de vida anteriores

O contexto emocional, financeiro e familiar

Nada disso é igual de uma mulher para outra.

O silêncio que machuca

Muitas mães sofrem caladas porque acreditam que estão “erradas”.

Erradas por sentir demais.

Ou por não sentir o que esperavam sentir.

A comparação machuca.

As frases prontas machucam.

O “isso passa”, “aproveita”, “toda mãe passa por isso” — quando ditos sem escuta — machucam.

Porque invalidam uma dor que é real.

O puerpério não é só sobre o bebê

É também sobre uma mulher que está nascendo.

Uma mulher que:

perde partes de quem era

aprende a existir de outro jeito

tenta se reconhecer no espelho

precisa de colo, mesmo sendo adulta

O puerpério é um período de atravessamento profundo.

E atravessamentos não são iguais para ninguém.

Acolher é não comparar

Talvez o maior gesto de cuidado entre mães seja esse:

parar de comparar.

Acolher o próprio processo.

Respeitar o tempo do corpo.

Validar os sentimentos, mesmo os contraditórios.

Porque não existe puerpério certo.

Existe o puerpério possível.

E ele já é suficiente.

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